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Duas mulheres e oito homens receberam penas de prisão suspensas e serão obrigados a fazer cursos de conscientização contra ciberbullying
O Tribunal de Paris anunciou nesta segunda-feira (5) a condenação de dez pessoas acusadas de difamar e assediar digitalmente Brigitte Macron, primeira-dama da França, em campanhas virtuais que se espalharam pelas redes sociais ao redor do mundo.
O caso ganhou grande repercussão porque os ataques não se limitaram a críticas políticas ou comentários sobre sua vida pública.
Os réus divulgaram boatos de que Brigitte seria transexual e chegaram a associá-la a práticas de pedofilia, baseada na diferença de idade de 24 anos entre ela e o presidente Emmanuel Macron.
Os rumores começaram a circular após a eleição de Emmanuel Macron, em 2017, alegando falsamente que Brigitte Macron, cujo sobrenome de solteira é Trogneux, nunca existiu e que o seu irmão, Jean-Michel, teria assumido essa identidade após uma transição de gênero.
Essas alegações falsas, repetidas e amplificadas por influenciadores com idades entre 41 e 65 anos em diferentes plataformas digitais, foram consideradas pela Justiça como maliciosas e destinadas a manchar a reputação da primeira-dama.
10 influenciadores condenados por difamar Brigitte Macron
Oito réus receberam sentenças suspensas de quatro a oito meses, enquanto um nono homem foi condenado a seis meses de prisão por não ter comparecido à audiência.
Uma das mulheres julgadas, que já havia sido alvo de uma queixa por difamação apresentada por Brigitte Macron em 2022, é Delphine J., de 51 anos. Usando o pseudônimo Amandine Roy, ela se apresenta como médium espiritual e escritora, e foi apontada como a criadora dos boatos.
O tribunal enfatizou que, embora todos tenham contribuído para a propagação das ofensas, havia uma diferença clara entre quem iniciou a campanha e quem apenas a reproduziu, razão para penas mais altas.
Todos os dez serão obrigados a participar de um treinamento de conscientização sobre cyberbullying e a se cotizarem para pagar 10 mil euros como indenização à Brigitte Macron.
Durante o julgamento, vários deles se defenderam declarando não saber por que estavam sendo processados, já que os comentários seriam “humorísticos ou satíricos”, e que as manifestações sobre Brigitte Macron seriam protegidas pelo direito à liberdade de expressão.
Outro processo contra influenciadora dos EUA
Brigitte Macron afirmou que decidiu levar o caso à Justiça para “dar um exemplo” e mostrar que campanhas de ódio e desinformação não podem ficar impunes.
Ela e o presidente francês também entraram com um processo por difamação contra a influenciadora de direita Candace Owens, que alega que a primeira-dama da França teria nascido “Jean-Michel Trogneux” (na realidade, nome de seu irmão).
A ação judicial, aberta em julho no Estado americano de Delaware, afirma que Owens, autora de uma série chamada Becoming Brigitte, vem espalhando “ficções bizarras, difamatórias e absurdas”.
Mesmo após a abertura do processo, a influenciadora dos EUA manteve as alegações, afirmando que apostaria “toda sua reputação profissional” em sua crença de que a esposa de Macron “é de fato um homem”.
O processo ainda está em curso. O casal Macron informou que anexará evidências fotográficas e médicas para comprovar que Brigitte é mulher.




