Coletivos negro e LGBTs inauguram quilombo urbano em Niterói, no RJ - Brasil de Fato

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A união dos coletivos negro e LGBTs Xica Manicongo, Quilombo Alagbara e TransParente deu origem ao primeiro quilombo urbano de Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. A inauguração do espaço, localizado próximo à praça da Cantareira, no bairro de São Domingos, aconteceu na sexta-feira (29), com apresentações culturais como o bloco Afro Olodumaré e homenagens ao longo do dia.

A iniciativa leva o nome da primeira travesti africana que se tem registro no Brasil, Xica Manicongo. Mais de 40 pessoas estão envolvidas na construção do projeto que pretende ser um ponto de acolhimento e referência da história e cultura da população negra e LGBT em Niterói.

“Nosso sonho é fomentar a cultura, arte, teatro e educação numa perspectiva racializada, e resgatar a memória dos nossos corpos pretos e LGBTs”, afirma Ariela Nascimento, de 23 anos, integrante do movimento Xica Manicongo.

“O quilombo também resiste à especulação imobiliária em Niterói, fortalece outras ocupações quilombolas. Resgatando a memória do que foi a Pequena África aqui na região da Cantareira, talvez Niterói possa voltar a ter uma maior concentração de corpos pretos e favelados”, defende ainda a também estudante de ciências sociais da Universidade Federal Fluminense (UFF) e assessora parlamentar.

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O quilombo urbano Xica Manicongo vai proporcionar atividades culturais, palestras, cursos e oficinas abertas para toda população do município. Além disso, também pretende desenvolver pesquisas e projetos sociais em parceria com a UFF.

Legado de Xica Manicongo

Somente ano passado, em meio a pandemia, o Brasil registrou 175 assassinatos de travestis e mulheres transexuais, segundo um dossiê organizado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).

“É muito importante resgatar a memória daquela que veio antes de nós. A primeira mulher trans e travesti a pisar no Brasil, Xica Manicongo, foi raptada do Congo e sofreu todo processo colonizador sobre seu próprio corpo. Quantas outras Xicas estiveram na invisibilidade? O quilombo e o movimento Xica Manicongo também é político e de formação para outras travestis e mulheres transsexuais, sobretudo pretas”, completa Ariela.

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Estarão presentes na inauguração Benny Briolly (Psol), primeira vereadora trans de Niterói, fundadora do movimento Xica Manicongo e idealizadora da iniciativa e também a deputada estadual Erica Malunguinho (Psol-SP), que está a frente do Quilombo Urbano Aparelha Luzia, em São Paulo, e tem inspirado a busca por ancestralidade por meio dos quilombos urbanos.

“O objetivo do Quilombo Xica Manicongo é ser um espaço ser uma troca de aprendizados, cura, escuta e busca por autonomia em uma perspectiva africana de resgate da história”, afirma Benny Briolly.

Como doar

O casarão que vai abrigar as atividades do quilombo urbano Xica Manicongo está passando por uma série de reformas estruturais. Para contribuir, basta utilizar a chave Pix [email protected]. Saiba mais sobre a programação do Quilombo Xica Manicongo no perfil no Instagram.

Fonte: BdF Rio de Janeiro

Edição: Jaqueline Deister


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