Quem é o jogador trans que pediu namorada em casamento no campo de futebol? - UOL Esporte

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Acostumado a receber as partidas do Washington Spirit na NWSL, a liga profissional feminina de futebol dos Estados Unidos, o Audi Field abrigou no final do mês passado um evento bem diferente da sua programação habitual.

No último dia 25 de outubro, o atacante japonês Kumi Yokoyama, que defende o clube desde o ano passado, usou o gramado do estádio para pedir em casamento sua namorada, uma enfermeira chamada Nami.

O pedido, prontamente aceito e comemorado pelo casal com as tradicionais taças de espumante à beira do campo, foi transmitido pelos telões da arena e, semanas depois, começou a bombar nas redes sociais e na imprensa norte-americana.

Integrante da seleção japonesa que disputou a última Copa do Mundo, em 2019, Yokoyama se tornou mais conhecida fora do ambiente do futebol feminino em junho, quando passou a se apresentar como um homem transexual.

Na entrevista em que tornou pública sua identidade de gênero, o atacante pediu que ninguém mais utilize pronomes e substantivos femininos para se referir a ele e explicou os principais desafios enfrentados no seu processo de aceitação.

"Eu namorei várias mulheres ao longo dos anos, mas isso tinha que ficar escondido no Japão. Lá, sempre me perguntavam se eu tinha namorado. Aqui nos Estados Unidos, me perguntam se tenho namorada ou namorado", afirmou o jogador de 28 anos.

Durante a entrevista, Yokoyama revelou também que, sete anos atrás, realizou uma cirurgia para remover o tecido mamário e que só não se submeteu ainda a tratamentos hormonais por medo de desrespeitar o código antidoping e ser punido por isso.

De acordo com o camisa 17 do Washington Spirits, ele só se submeterá a esses procedimentos depois que encerrar sua carreira como jogador profissional de futebol e tiver mais liberdade para fazer uso de medicações e hormônios.

Atletas trans ainda são raros no esporte de alto rendimento. Os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 foram apenas o primeiro da história a contar com a participação de algum competidor transexual: a neozelandesa Laurel Hubbard, do levantamento de peso.

Aqui no Brasil, a história mais famosa é a da jogadora de vôlei Tiffany Abreu, que defende o Osasco e tem sido já há algumas temporadas destaque da Superliga, a primeira divisão da modalidade no país.

No futebol feminino, há o caso que inspirou Yokoyama a tornar pública sua transexualidade. Quinn, meio-campista canadense, medalhista de ouro em Tóquio-2020, é uma pessoa não-binária (aquela que não se identifica com nenhum gênero).

O Washington Spirit disputa a NWSL desde 2013, mas nunca foi campeão. Nesta temporada, é um dos quatro times ainda vivos na briga pelo título. No domingo, enfrenta o OL Reign, da meio-campista brasileira Angelina, por vaga na decisão. A outra semifinal reúne Portland Thorns e Chicago Red Stars.

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